Tudo o que você sussura graficamente em meus olhos
quem escuta é meu coração que segue preenchendo os ocos.
Meu coração é astigmata, míope, daltônico.
Apenas deduz e segue confuso.
Não há oftalmologista ou cardiologista que consiga reparar os danos.
Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Terça-feira, Junho 02, 2009
Onde vivem meus dragões.
Há mais de um ano resolvi mudar de ninho. Ninho é o lugar onde moro – aquilo que muitos chamam de lar – parede, chuveiro, cama, mesa, comida, chuveiro, bicho, aconchego.
A procura e a reforma durou mais de um ano. A escolha é difícil pois é a definição do lugar para onde se quer voltar.
Vasculhei ninhos habitados e inabitados, habitáveis e inabitáveis. Imaginei histórias e criei personagens a partir das referências daqueles lugares.
E tive que aprender a administrar o trabalho do pedreiro, pintor, marceneiro, eletricista, bombeiro. Eram poucas as opções e não fiz boas escolhas.
Tudo demorou bem mais que prometeram e a partir de então passei a me sentir refém destas pessoas. Sofri e entendi que para lidar com alguns profissionais você deve se blindar ao máximo. E entre erros e acertos quando a mudança chegou o pintor deu a última pincelada e disse que estava lelete – com ele aprendi que isso quer dizer ótimo - e se foi, praticamente expulso pela mudança.
Foram 10 anos exatos [nenhum dia mais, nem menos] vivendo no mesmo ninho. Enquanto assisti a retirada da mudança, todas as lembranças passaram pela minha cabeça e me despedi de cada uma delas. Aquele lugar despido dos meus objetos já não tinha nenhuma identidade além das cores que deixei nas paredes. A partir de então só existe na minha memória e na daqueles que por lá passaram.
No blog amigo tem fotos da ocasião da despedida:
http://retrosariamoda.blogspot.com/2009/03/era-uma-casa-muito-engracada.html
E com a mudança eu também me fechei para reforma.
Dediquei-me a sala de aula, ao confinamento e as pequenas sutilezas esquecidas. Desliguei o som, a televisão, os telefones, a internet, o interfone e a campainha - silêncio absoluto para ouvir o congresso dos meus dragões.
Dei um novo destino a tudo que não me servia mais – papeis, panelas, pessoas.
Chega um tempo que relacionar torna-se preservar a fidelidade ao encanto vivido com quem foi indispensável um dia, para que ainda possa existir algum encanto que justifique o encontro. E tento conviver com a temporalidade e a impermanência que se fazem presentes quando menos se espera.
Fiz aniversário um dia depois da mudança.
Acordei ‘estranho no ninho’, como se fosse um hóspede de mim mesmo.
Estive alheio ao aniversário, ao carinho não.
Estar ausente possibilitou repensar o que é estar em minha companhia. Tentei perceber como sou percebido. Entendi que para algumas pessoas eu só existo no ambiente virtual - para elas ao vivo e a cores sou quase invisível. Para outras minha existência em qualquer lugar é indiferente. Talvez eu seja mesmo esquisito, mas sou assim desde zigoto...
E também descobri que alguns gostam muito de mim – eles souberam domar meus dragões e descobriram que no meu reino de faz-de-conta ainda guardo flamingos, pôneis, carneiros, pinguins. Sabem que lá os desaniversários são sempre mais importantes.
E depois de algumas escolhas, as paredes são brancas, o papel de parede é rosa sujo, rosa velho, “rosa cor de sorvete de massa” como escreveu minha mais nova amiga de infância.
Do meu quarto vejo passarinhos e a incidência do sol de outono.
Meus dragões estão presos. Minha vida agora é caderno novo.
A todos aqueles que permaneceram sem nenhuma cobrança, que sentiram minha falta e fizeram com que eu não me sentisse solitário mesmo estando sozinho.
A procura e a reforma durou mais de um ano. A escolha é difícil pois é a definição do lugar para onde se quer voltar.
Vasculhei ninhos habitados e inabitados, habitáveis e inabitáveis. Imaginei histórias e criei personagens a partir das referências daqueles lugares.
E tive que aprender a administrar o trabalho do pedreiro, pintor, marceneiro, eletricista, bombeiro. Eram poucas as opções e não fiz boas escolhas.
Tudo demorou bem mais que prometeram e a partir de então passei a me sentir refém destas pessoas. Sofri e entendi que para lidar com alguns profissionais você deve se blindar ao máximo. E entre erros e acertos quando a mudança chegou o pintor deu a última pincelada e disse que estava lelete – com ele aprendi que isso quer dizer ótimo - e se foi, praticamente expulso pela mudança.
Foram 10 anos exatos [nenhum dia mais, nem menos] vivendo no mesmo ninho. Enquanto assisti a retirada da mudança, todas as lembranças passaram pela minha cabeça e me despedi de cada uma delas. Aquele lugar despido dos meus objetos já não tinha nenhuma identidade além das cores que deixei nas paredes. A partir de então só existe na minha memória e na daqueles que por lá passaram.
No blog amigo tem fotos da ocasião da despedida:
http://retrosariamoda.blogspot.com/2009/03/era-uma-casa-muito-engracada.html
E com a mudança eu também me fechei para reforma.
Dediquei-me a sala de aula, ao confinamento e as pequenas sutilezas esquecidas. Desliguei o som, a televisão, os telefones, a internet, o interfone e a campainha - silêncio absoluto para ouvir o congresso dos meus dragões.
Dei um novo destino a tudo que não me servia mais – papeis, panelas, pessoas.
Chega um tempo que relacionar torna-se preservar a fidelidade ao encanto vivido com quem foi indispensável um dia, para que ainda possa existir algum encanto que justifique o encontro. E tento conviver com a temporalidade e a impermanência que se fazem presentes quando menos se espera.
Fiz aniversário um dia depois da mudança.
Acordei ‘estranho no ninho’, como se fosse um hóspede de mim mesmo.
Estive alheio ao aniversário, ao carinho não.
Estar ausente possibilitou repensar o que é estar em minha companhia. Tentei perceber como sou percebido. Entendi que para algumas pessoas eu só existo no ambiente virtual - para elas ao vivo e a cores sou quase invisível. Para outras minha existência em qualquer lugar é indiferente. Talvez eu seja mesmo esquisito, mas sou assim desde zigoto...
E também descobri que alguns gostam muito de mim – eles souberam domar meus dragões e descobriram que no meu reino de faz-de-conta ainda guardo flamingos, pôneis, carneiros, pinguins. Sabem que lá os desaniversários são sempre mais importantes.
E depois de algumas escolhas, as paredes são brancas, o papel de parede é rosa sujo, rosa velho, “rosa cor de sorvete de massa” como escreveu minha mais nova amiga de infância.
Do meu quarto vejo passarinhos e a incidência do sol de outono.
Meus dragões estão presos. Minha vida agora é caderno novo.
A todos aqueles que permaneceram sem nenhuma cobrança, que sentiram minha falta e fizeram com que eu não me sentisse solitário mesmo estando sozinho.
Domingo, Novembro 30, 2008
Antropofagia infantil
Ontem ganhei jambos - minha diarista que tem o mesmo nome da minha mãe e está comigo há 15 anos, trouxe de uma fazenda.
É uma fruta que tem cheiro e gosto de perfume, pelo caule saem uns fios que me fazem lembrar as antenas de um inseto e de brincos-de-princesa.
É bonita, lúdica, doce. Tem uma textura diferente e faz clôc - quando o oco da fruta encontra os dentes do seu desejo.
Quando criança era minha fruta predileta.
Devorei minha saudade e o menino que fui um dia.
este mini-texto vai para Iêda que me trouxe os jambos e para Miki pelo incentivo em dias de ciclone
É uma fruta que tem cheiro e gosto de perfume, pelo caule saem uns fios que me fazem lembrar as antenas de um inseto e de brincos-de-princesa.
É bonita, lúdica, doce. Tem uma textura diferente e faz clôc - quando o oco da fruta encontra os dentes do seu desejo.
Quando criança era minha fruta predileta.
Devorei minha saudade e o menino que fui um dia.
este mini-texto vai para Iêda que me trouxe os jambos e para Miki pelo incentivo em dias de ciclone
Sexta-feira, Novembro 14, 2008
Post-it esfolado
Tem sempre um muro lembrando que eu vou me esfolar inteiro.
Mais cedo ou mais tarde[geralmente mais cedo] perco o equilibrio e sigo esfolando tudo entre os chapiscos.
E não vou parar, sigo inventando uma vida acolchoada.
Mais cedo ou mais tarde[geralmente mais cedo] perco o equilibrio e sigo esfolando tudo entre os chapiscos.
E não vou parar, sigo inventando uma vida acolchoada.
Domingo, Outubro 05, 2008
Post-it no muro
Meu coração é poleiro aberto.
Quero a coisa mais simples dessa vida - ciscadinho de passarinho.
Quero a coisa mais simples dessa vida - ciscadinho de passarinho.
Domingo, Setembro 28, 2008
Post-it usado
Meu rádio não sintoniza as estações do ano.
As teclas já se apagaram e isso faz com que eu confunda tudo.
Danço desconexo.
As teclas já se apagaram e isso faz com que eu confunda tudo.
Danço desconexo.
Sábado, Novembro 24, 2007
Mingau Frankenstein
um pouco de mingau amargo - escrito meses atrás, abafado, perdido, esquecido, frio - agora encontrado e servido.
Não suporto dias quentes como estes que se sucedem.
Dias abafados esmurram meu peito, mesclam meus sentimentos.
Um silêncio interrompido por bater de asas de insetos, mormaço com cheiro de poeira e uma sensação de que tudo vai acabar.
E diante da dificuldade de existir nestes dias, aparece você.
E questiono entre tudo a importância da sua aparição na minha existência.
Eu não estou disponível para você, nem sei o que te fez acreditar que eu poderia estar algum dia. Desculpe, mas nem tudo o que você acredita vai se realizar, você não é tão competente assim, nem tão inteligente e pensando bem seu estilo não combina com o meu - a última modinha combina com sua turma - personagens de fabricação em série, da última série.
Eu gostaria de ter mais tempo para mim, minha família, meus amigos, para dormir, para flores, mas não tenho tempo a perder. Você que nem sabe o que quer e sua melhor desculpa é ser de gêmeos, rs....
A tradição que você herdou não me interessa, nem ao menos você tem ascendência britânica, então não me venha com convenções.
Seu discurso sobre comportamento me diverte. Meus verões na década de 80 foram em Guarujá. E o que julga ser glam e hipster é o que acontece agora em Maresias e Búzios? Ah! Campos do Jordão, rs...
Você já ouviu falar nas Ilhas Canárias? Biaritz?
Seu roteiro turístico é o do momento e só tem um destino: Bora-Bora.
O Blackberry que você acredita que lhe torna mais integrado e conectado, lhe tornaria mais íntegro e elegante se você não falasse aos berros e tratasse por “véi” seus similares. Amplie seu vocabulário.
Já que estamos no item elegância, esqueça os colares étnicos e as coleiras, caso necessite, melhor mesmo uma focinheira.
Jóias também não, é que você relaciona valor com beleza, ainda não entendeu que o mais caro nem sempre é o mais bonito e quase sempre não é. Elegância não está diretamente relacionada aos seus investimentos financeiros, mas nas suas atitudes. Pense na maneira como você trata os serviçais.
O melhor carro para exibir virilidade no asfalto não é um francês. Compre um carro alemão ou japonês. Carros franceses são mais frágeis que seu entrepernas.
Caminhe se tiver coragem de uma dose de vida real, é só sair da bolha blindada.
Imagens seduzem, mas qual é o tamanho do vazio que você tenta preencher com fotos vazias exibidas em um fotolog que recebe comentários mais vazios que seu coração e sua cabeça. Sua carência é seu vicio e não suporto quem não dá conta de si e refugia-se em alguém ou em shoppings.
Anos atrás visitei uma exposição da maison Cartier, peças únicas criadas sob encomenda para nobres como a duquesa de Windsor. É preciso perceber sem necessariamente possuir, a percepção já é um privilégio, isso você nunca vai entender.
Eu sempre colecionei embalagens porque gosto de analisar cada componente, faz parte da minha profissão. Sua embalagem seduz. Uma bela aparência causa impacto e atrai. Seu manual de instruções tem poucas palavras e muitos pictogramas, você e os seus preferem as imagens. Saiba que neste caso também prefiro, são mais precisas que suas palavras.
É mais fácil para você achar que sou louco, você não consegue aceitar tudo o que não está em uma grande vitrine pop.
Sua carteira, suas propriedades, seu carro, seu pedigree – muito obrigado, quero não.
Eu só queria café quente com duas torradas nas manhãs de domingo. Banho quente e algumas palavras que me fizessem lembrar você.
Daqui a pouco vai começar a chover.
A chuva vai refrescar e apagar seu nome, porque como te inventei também já te esqueci.
Não suporto dias quentes como estes que se sucedem.
Dias abafados esmurram meu peito, mesclam meus sentimentos.
Um silêncio interrompido por bater de asas de insetos, mormaço com cheiro de poeira e uma sensação de que tudo vai acabar.
E diante da dificuldade de existir nestes dias, aparece você.
E questiono entre tudo a importância da sua aparição na minha existência.
Eu não estou disponível para você, nem sei o que te fez acreditar que eu poderia estar algum dia. Desculpe, mas nem tudo o que você acredita vai se realizar, você não é tão competente assim, nem tão inteligente e pensando bem seu estilo não combina com o meu - a última modinha combina com sua turma - personagens de fabricação em série, da última série.
Eu gostaria de ter mais tempo para mim, minha família, meus amigos, para dormir, para flores, mas não tenho tempo a perder. Você que nem sabe o que quer e sua melhor desculpa é ser de gêmeos, rs....
A tradição que você herdou não me interessa, nem ao menos você tem ascendência britânica, então não me venha com convenções.
Seu discurso sobre comportamento me diverte. Meus verões na década de 80 foram em Guarujá. E o que julga ser glam e hipster é o que acontece agora em Maresias e Búzios? Ah! Campos do Jordão, rs...
Você já ouviu falar nas Ilhas Canárias? Biaritz?
Seu roteiro turístico é o do momento e só tem um destino: Bora-Bora.
O Blackberry que você acredita que lhe torna mais integrado e conectado, lhe tornaria mais íntegro e elegante se você não falasse aos berros e tratasse por “véi” seus similares. Amplie seu vocabulário.
Já que estamos no item elegância, esqueça os colares étnicos e as coleiras, caso necessite, melhor mesmo uma focinheira.
Jóias também não, é que você relaciona valor com beleza, ainda não entendeu que o mais caro nem sempre é o mais bonito e quase sempre não é. Elegância não está diretamente relacionada aos seus investimentos financeiros, mas nas suas atitudes. Pense na maneira como você trata os serviçais.
O melhor carro para exibir virilidade no asfalto não é um francês. Compre um carro alemão ou japonês. Carros franceses são mais frágeis que seu entrepernas.
Caminhe se tiver coragem de uma dose de vida real, é só sair da bolha blindada.
Imagens seduzem, mas qual é o tamanho do vazio que você tenta preencher com fotos vazias exibidas em um fotolog que recebe comentários mais vazios que seu coração e sua cabeça. Sua carência é seu vicio e não suporto quem não dá conta de si e refugia-se em alguém ou em shoppings.
Anos atrás visitei uma exposição da maison Cartier, peças únicas criadas sob encomenda para nobres como a duquesa de Windsor. É preciso perceber sem necessariamente possuir, a percepção já é um privilégio, isso você nunca vai entender.
Eu sempre colecionei embalagens porque gosto de analisar cada componente, faz parte da minha profissão. Sua embalagem seduz. Uma bela aparência causa impacto e atrai. Seu manual de instruções tem poucas palavras e muitos pictogramas, você e os seus preferem as imagens. Saiba que neste caso também prefiro, são mais precisas que suas palavras.
É mais fácil para você achar que sou louco, você não consegue aceitar tudo o que não está em uma grande vitrine pop.
Sua carteira, suas propriedades, seu carro, seu pedigree – muito obrigado, quero não.
Eu só queria café quente com duas torradas nas manhãs de domingo. Banho quente e algumas palavras que me fizessem lembrar você.
Daqui a pouco vai começar a chover.
A chuva vai refrescar e apagar seu nome, porque como te inventei também já te esqueci.
Sábado, Dezembro 30, 2006
Biquinis...
Fui convidado por um amigo querido a escrever sobre o biquini para uma exposição sobre o mesmo que ocorreu na Galeria CIMO agora em dezembro. Pela primeira vez tive o luxo de ter um texto revisado por uma profissional bem bacana, que o deixou digamos assim... hummm... mais adequado para o evento. A exposição ficou bem bacanérrima e a noite de abertura rendeu...
O verão promete...
O verão se aproxima e com ele as férias, as praias e os clubes lotados, o sol, o calor, os sonhos, os amores, os desejos e devaneios, os corpos esculturais (ou não) e, principalmente: o desejo de alegria inesgotável.
Se moda é linguagem e a roupa carrega uma mensagem, o biquíni é um polêmico ícone da feminilidade, da liberdade e da alegria (salvo raras exceções, as mulheres carregam uma atmosfera de felicidade ao usar um biquíni).
Antes dele, por volta de 1907, na Côte D?Azur, as mulheres ficavam descalças e mostravam as pernas só até os joelhos. O resto ficava por conta da imaginação.
Em 1946, apesar do estranhamento e descontentamento que causou à sociedade puritana e conservadora da época, o impacto da criação do biquíni já era um sinal de que os verões não seriam mais os mesmos.
De lá pra cá, muita coisa mudou e o biquíni passou por inúmeras mudanças de tamanho, modelagem, cores, estampas e materiais, refletindo o comportamento das gerações que fizeram a história.
Passando pelas formas femininas e bem estruturadas do New Look de Dior, à chegada do homem à lua e à corrida espacial; à sexualização da estética ?Lolita?; à televisão promovendo a aproximação cultural; às divas Brigitte Bardott, Ursula Andrees, Marilyn Monroe, Jane Fonda; ao Havaí e aos filmes de Elvis Presley como válvula de escape para a realidade da guerra do Vietnã; à inversão de papéis e à androginia; à Op e à Pop Arte; ao psicodelismo lisérgico; Emilio Pucci; aos hippies, aos freaks e ao festival de Woodstock; ao Flower Power; ao rock e ao pop; ao futurismo de Pierre Cardin, Paco Rabanne e Courrèges; à era Disco; ao culto ao corpo e à aeróbica da década de 80; à multiplicidade de estilos a partir da década de 90 e, finalmente, chegando aos anos 2000, a roupa expressa um desejo de se transformar em meio de comunicação cada vez mais individual e emocional.
De bojos estruturados e calcinhas amplas às invenções brasileiras como a tanga, o asa-delta e a ousadia do fio-dental; dos motivos românticos, florais e geométricos aos minimalistas; das cores intensas aos clássicos de inspiração olímpica em preto e branco; as possibilidades são infinitas assim como as mulheres e seus desejos.
A mulher quando escolhe usar um biquíni como traje de banho não é apenas por sua funcionalidade ou por uma escolha estética. Ela deseja (inconscientemente até) mostrar seu corpo, despertar desejos e a imaginação de quem a observa.
Quer exibir sua liberdade sexual e exercitar seu poder de sedução, mesmo que de maneira calma e doméstica ou de maneira mais ousada (vide episódio Cicarelli dentre outros).
Ao contrário dos clubes que tradicionalmente são elitistas e cheios de regras, as praias sempre foram territórios livres onde convivem zona sul e favela. E tem biquíni para todo mundo, para cada tamanho de bolso e para cada tipo de vontade. Tem modelo para seduzir o gringo na busca por uma vida melhor e tem para tomar champagne e fazer carão em luxuosos iates ou na piscina do Copa.
Peitudas, siliconadas, despeitadas, exuberantes, branquelas, morenas, loiras, oxigenadas, negras, bronzeadas, enfim, mulheres em macro e micro biquínis, em mais um verão, irão despertar a libido de garotos, marmanjos e velhotes, assim como sempre foi e sempre será.
Independente da sua idade, dos seus lugares, sonhos, gostos e de suas vontades, seu verão pode acontecer no Rio de Janeiro, Búzios, Belo Horizonte, Ibiza, Nice, Saint Tropez, Cannes, Noronha, Cabo Verde, Cabo Frio, Ilhéus, Angra, Cancun, Bonito, Natal, Fiji, Casablanca, Guarapari, Ceará, Paquetá ou Ilha de Itamaracá. Não importa. Pode até mesmo ser no Country Clube de qualquer lugar. Ainda assim o biquíni vai estar por lá e você só não vai ter é como ignorar.
O verão promete...
O verão se aproxima e com ele as férias, as praias e os clubes lotados, o sol, o calor, os sonhos, os amores, os desejos e devaneios, os corpos esculturais (ou não) e, principalmente: o desejo de alegria inesgotável.
Se moda é linguagem e a roupa carrega uma mensagem, o biquíni é um polêmico ícone da feminilidade, da liberdade e da alegria (salvo raras exceções, as mulheres carregam uma atmosfera de felicidade ao usar um biquíni).
Antes dele, por volta de 1907, na Côte D?Azur, as mulheres ficavam descalças e mostravam as pernas só até os joelhos. O resto ficava por conta da imaginação.
Em 1946, apesar do estranhamento e descontentamento que causou à sociedade puritana e conservadora da época, o impacto da criação do biquíni já era um sinal de que os verões não seriam mais os mesmos.
De lá pra cá, muita coisa mudou e o biquíni passou por inúmeras mudanças de tamanho, modelagem, cores, estampas e materiais, refletindo o comportamento das gerações que fizeram a história.
Passando pelas formas femininas e bem estruturadas do New Look de Dior, à chegada do homem à lua e à corrida espacial; à sexualização da estética ?Lolita?; à televisão promovendo a aproximação cultural; às divas Brigitte Bardott, Ursula Andrees, Marilyn Monroe, Jane Fonda; ao Havaí e aos filmes de Elvis Presley como válvula de escape para a realidade da guerra do Vietnã; à inversão de papéis e à androginia; à Op e à Pop Arte; ao psicodelismo lisérgico; Emilio Pucci; aos hippies, aos freaks e ao festival de Woodstock; ao Flower Power; ao rock e ao pop; ao futurismo de Pierre Cardin, Paco Rabanne e Courrèges; à era Disco; ao culto ao corpo e à aeróbica da década de 80; à multiplicidade de estilos a partir da década de 90 e, finalmente, chegando aos anos 2000, a roupa expressa um desejo de se transformar em meio de comunicação cada vez mais individual e emocional.
De bojos estruturados e calcinhas amplas às invenções brasileiras como a tanga, o asa-delta e a ousadia do fio-dental; dos motivos românticos, florais e geométricos aos minimalistas; das cores intensas aos clássicos de inspiração olímpica em preto e branco; as possibilidades são infinitas assim como as mulheres e seus desejos.
A mulher quando escolhe usar um biquíni como traje de banho não é apenas por sua funcionalidade ou por uma escolha estética. Ela deseja (inconscientemente até) mostrar seu corpo, despertar desejos e a imaginação de quem a observa.
Quer exibir sua liberdade sexual e exercitar seu poder de sedução, mesmo que de maneira calma e doméstica ou de maneira mais ousada (vide episódio Cicarelli dentre outros).
Ao contrário dos clubes que tradicionalmente são elitistas e cheios de regras, as praias sempre foram territórios livres onde convivem zona sul e favela. E tem biquíni para todo mundo, para cada tamanho de bolso e para cada tipo de vontade. Tem modelo para seduzir o gringo na busca por uma vida melhor e tem para tomar champagne e fazer carão em luxuosos iates ou na piscina do Copa.
Peitudas, siliconadas, despeitadas, exuberantes, branquelas, morenas, loiras, oxigenadas, negras, bronzeadas, enfim, mulheres em macro e micro biquínis, em mais um verão, irão despertar a libido de garotos, marmanjos e velhotes, assim como sempre foi e sempre será.
Independente da sua idade, dos seus lugares, sonhos, gostos e de suas vontades, seu verão pode acontecer no Rio de Janeiro, Búzios, Belo Horizonte, Ibiza, Nice, Saint Tropez, Cannes, Noronha, Cabo Verde, Cabo Frio, Ilhéus, Angra, Cancun, Bonito, Natal, Fiji, Casablanca, Guarapari, Ceará, Paquetá ou Ilha de Itamaracá. Não importa. Pode até mesmo ser no Country Clube de qualquer lugar. Ainda assim o biquíni vai estar por lá e você só não vai ter é como ignorar.
Quinta-feira, Outubro 26, 2006
Eu penso em você cinematograficamente
Em fevereiro eu já repetia internamente como um mantra : Vou a São Paulo em outubro. Os dias passaram e outubro logo chegou.
A vôo da ida foi dramático: tráfego aéreo intenso, tempo ruim, condições climáticas nada favoráveis para a aterrissagem. Resultado: a viagem que era para durar uma hora, durou duas.O avião voando em círculos. Quando ia aterrissar o piloto arremeteu para procurar melhores condições para o pouso. Eu não tenho medo, é sempre uma mistura de contentamento e emoção todas as vezes que estou nas nuvens, mas confesso que comecei a ficar tenso no momento em que o piloto arremeteu. Você não estava no mesmo vôo e no tumulto do aeroporto só te enxerguei em fragmentos.
O hotel não tinha uma localização como esperávamos e logo já estávamos em outro que mais aparentava a praticidade dos ambientes de Tóquio, mas sem aquele aparato tecnológico, sem o requinte fotográfico da última geração de cineastas orientais.
Enfim nos instalamos.
À noite fui te encontrar no teatro, mas na ansiedade de te achar me perdi em outros olhares que também o procuravam ou por algo que aproximasse de você.
Sexta feira eu não tive tempo, as vitrines e sacolas me distraiam. Apesar de ter lhe visto no metrô. Talvez à noite, mas eu já estava muito cansado, o sono não me deixou ir.
Sábado, enquanto vasculhava as lembranças e a história de vidas alheias guardadas em objetos antigos naquela feira eu te vi passando. Rápido demais para quem se distraia.
No bar onde já me esperavam você nem chegou perto.
Por mais de uma vez te vi nos corredores e nas lojas do Iguatemi, se você fosse mercadoria eu teria lhe comprado. E você se multiplicava e eu não conseguia me fixar em você.
Domingo nem por um instante sequer, eu poderia te esquecer.
Segunda-feira você tomou café da manhã na mesa ao lado. Seu celular tocou, só restou ouvir a sua voz sumindo pelo restaurante do hotel. Naquele momento desisti de você.
Hora de voltar.
Você estava no aeroporto enquanto aguardávamos autorização para o embarque. Eu te vi de longe. Joana, que sempre encontra o que procuro e ainda estabelece uma relação custo benefício me chama, era o perfume da Burberry . O império do luxo britânico representado em notas olfativas. Um dos frascos mais belos que já vi. Não importa.
Nada mais tinha importância perto do seu olhar a queima-roupa a me perseguir até o portão de embarque. Embarquei na certeza que estas lembranças desconexas vão me proteger, dentro de mim elas fazem sentido. Não me sinto só, não tenho medo e quase paro de sentir fome. Sorri, então.
A viagem estava completa.
A vôo da ida foi dramático: tráfego aéreo intenso, tempo ruim, condições climáticas nada favoráveis para a aterrissagem. Resultado: a viagem que era para durar uma hora, durou duas.O avião voando em círculos. Quando ia aterrissar o piloto arremeteu para procurar melhores condições para o pouso. Eu não tenho medo, é sempre uma mistura de contentamento e emoção todas as vezes que estou nas nuvens, mas confesso que comecei a ficar tenso no momento em que o piloto arremeteu. Você não estava no mesmo vôo e no tumulto do aeroporto só te enxerguei em fragmentos.
O hotel não tinha uma localização como esperávamos e logo já estávamos em outro que mais aparentava a praticidade dos ambientes de Tóquio, mas sem aquele aparato tecnológico, sem o requinte fotográfico da última geração de cineastas orientais.
Enfim nos instalamos.
À noite fui te encontrar no teatro, mas na ansiedade de te achar me perdi em outros olhares que também o procuravam ou por algo que aproximasse de você.
Sexta feira eu não tive tempo, as vitrines e sacolas me distraiam. Apesar de ter lhe visto no metrô. Talvez à noite, mas eu já estava muito cansado, o sono não me deixou ir.
Sábado, enquanto vasculhava as lembranças e a história de vidas alheias guardadas em objetos antigos naquela feira eu te vi passando. Rápido demais para quem se distraia.
No bar onde já me esperavam você nem chegou perto.
Por mais de uma vez te vi nos corredores e nas lojas do Iguatemi, se você fosse mercadoria eu teria lhe comprado. E você se multiplicava e eu não conseguia me fixar em você.
Domingo nem por um instante sequer, eu poderia te esquecer.
Segunda-feira você tomou café da manhã na mesa ao lado. Seu celular tocou, só restou ouvir a sua voz sumindo pelo restaurante do hotel. Naquele momento desisti de você.
Hora de voltar.
Você estava no aeroporto enquanto aguardávamos autorização para o embarque. Eu te vi de longe. Joana, que sempre encontra o que procuro e ainda estabelece uma relação custo benefício me chama, era o perfume da Burberry . O império do luxo britânico representado em notas olfativas. Um dos frascos mais belos que já vi. Não importa.
Nada mais tinha importância perto do seu olhar a queima-roupa a me perseguir até o portão de embarque. Embarquei na certeza que estas lembranças desconexas vão me proteger, dentro de mim elas fazem sentido. Não me sinto só, não tenho medo e quase paro de sentir fome. Sorri, então.
A viagem estava completa.
Segunda-feira, Agosto 21, 2006
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